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Um mal necessário, uma ira incontrolável, uma tranquilidade desejável, um bem incorrigível.
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domingo, 4 de outubro de 2009

transição

Quase meia noite. Quase acabava o dia. Quase desistia de quase tudo, embora já tivesse desistido do que insistia em lhe mostrar que não serviria. Insistia, portanto, em tantas outras coisas.


Insistia, por exemplo, em tentar descrever o que pensava e decifrar o que pensavam. Mas, nesses inconstantes pensamentos, havia descoberto que às vezes é preciso voltar para seguir em frente.




"Horror das correntes de ar...Isso não é bom para uma planta”,
observara o pequeno príncipe.
“É bem complicada essa flor...”
O Pequeno Príncipe


terça-feira, 7 de julho de 2009

"Fiz do destino meu amigo, ente querido, fiador"

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Nem toda mulher é algodão, nem todo homem é pedra. Nem todo mundo é exclusivamente vilão ou mocinho. Nem todo mundo é pra ser entendido. Nem todo peso é pesado. Nem todo abraço pode curar. Nem todo sentimento é recíproco. Tempo não é intensidade, duração não é sucesso, as melhores coisas não duram a vida inteira.


Desejar felicidade é mais difícil do que desejar "para si". Pares, uns vieram e outros estão por vir. O mundo é maior do que nós: milhões de problemas, milhões de risos, milhões de sentidos. Dúvidas, oportunidades, sociabilidade: a primeira é uma constante, a segunda é uma interpretação e a terceira tento desenvolver habilidade.
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domingo, 22 de março de 2009

2

__Todos, todas as camadas que cobrem. As cores, os laços, os gostos, a disciplina, as texturas, os gráficos, os humores, os sabores, as essências, o som, tudo tão à flor da pele. Fez-se de várias camadas, que cobriam a alma, que insistiam em sobrepor a calma, em colorir a vida, em forjar a tranquilidade, em curar a dor, em adoçar o amargo.
__Mais uma vez se enchia de palavras, sem saber o real motivo; mais uma vez tinha gostos estranhos, sem saber se desejava de verdade; mais uma vez ria, sem querer saber o porquê; mais uma vez se espreguiçava, sem saber se esperava ou se esperavam; mais uma vez se via de outro ângulo, conhecia suas camadas, suas calmarias e suas explosões.
__Passava de um samba para um folk, do folk para um rock anos 80 e para um anos 60, daí para um blues e uma pitada de brega, excêntrico. Passou de uma dose de vinagre de arroz em embalagem de saquê para um brigadeiro (com manteiga sem sal), passa.
__E quando pára, pensa nas novidades que foram ditas, assusta-se! Pensa no que disse, assusta-se mais ainda! Pensa no que virá da mesma cidade ou do outro lado do oceano, sente um frio na barriga, veste-se com uma camada de “nem notei” e segue em frente.
__Tempos de sustos, de visitas inesperadas (de longe e de perto), de falas abruptas, de sorrisos agradáveis, de abraços doces, de vontades inquietas, de vazio, de correria e reconhecimentos, de preguiça e alegria, de saudades superadas, de sons estranhos, de boas notícias, de novos-velhos amigos, de encontros do presente e desencontros do passado. Tempo de afeto, sem penicilina.




"Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma

Até quando o corpo pede um pouco mais de alma

A vida não pára

Enquanto o tempo acelera e pede pressa

Eu me recuso faço hora, vou na valsa

A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal

E a loucura finge que isso tudo é normal

Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz

A gente espera do mundo e o mundo espera de nós

Um pouco mais de paciência

Será que é tempo que lhe falta pra perceber?

Será que temos esse tempo pra perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara (tão rara)"

A "Paciência" do Zeca e do Lenine